Tendinopatia Glútea (GTPS): dor lateral do quadril, diagnóstico e tratamento
A tendinopatia glútea — também chamada de síndrome da dor trocantérica maior (GTPS) — é a principal causa de dor na lateral do quadril. Aqui você encontra uma explicação clara sobre causas, sintomas, diagnóstico e os tratamentos com melhor evidência.
- O que é tendinopatia glútea
- Anatomia e função dos glúteos
- Causas e fatores de risco
- Sintomas mais comuns
- Como é feito o diagnóstico
- Tratamentos baseados em evidências
- Prognóstico e prevenção
- Perguntas frequentes (FAQ)
- Atendimento em Porto Alegre e Gravataí
O que é a tendinopatia glútea (GTPS)?
A tendinopatia glútea envolve principalmente os tendões do glúteo médio e do glúteo mínimo, localizados ao redor do grande trocânter do fêmur. Hoje sabemos que a antiga “bursite trocantérica” isolada é menos frequente; a maioria dos casos tem origem tendínea. O quadro cursa com dor lateral no quadril, pior ao se deitar sobre o lado doloroso, ao subir escadas, caminhar longas distâncias ou permanecer muito tempo em pé.
Anatomia e função dos glúteos
Os abdutores do quadril (glúteo médio e mínimo) estabilizam a pelve durante a marcha e atividades diárias. Seus tendões inserem-se no grande trocânter. Quando submetidos a sobrecarga repetitiva e compressão, podem desenvolver microlesões e degeneração, caracterizando a tendinopatia.
Causas e fatores de risco
- Sobrecarga mecânica: corrida, trilhas, dança, subir/descer escadas, longas caminhadas.
- Biomecânica: joelho valgo, fraqueza de abdutores, alterações na marcha e no controle pélvico.
- Sexo e idade: maior incidência em mulheres a partir da meia-idade.
- Comorbidades: dor lombar, osteoartrite do quadril, excesso de peso.
- Hábitos: cruzar as pernas, dormir com o quadril em adução (sem travesseiro entre os joelhos).
- Histórico de aumento súbito de carga: retorno ou início de treino sem progressão adequada.
Sintomas mais comuns
- Dor na lateral do quadril, sobre o grande trocânter, podendo irradiar para a face lateral da coxa.
- Desconforto ao deitar sobre o lado afetado.
- Dor ao subir/descer escadas, caminhar por longos períodos ou ficar em pé muito tempo.
- Hipersensibilidade ao toque no trocânter e dificuldade em cruzar as pernas.

Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é clínico e considera história, exame físico (palpação do trocânter, testes de abdução resistida e single-leg stance) e avaliação funcional. Exames de imagem podem ser usados para confirmação ou casos persistentes:
- Ultrassonografia: pode mostrar tendinopatia/rupturas; é operador-dependente.
- Ressonância magnética: detalha tendões e bursas e auxilia no planejamento terapêutico.
- Radiografia: útil para descartar outras causas (como artrose avançada).


Tratamentos baseados em evidências
1) Educação e Modificação de Carga (Etapa Fundamental)
Antes de falar em exercícios, é essencial retirar os principais estímulos nocivos ao tendão.
O objetivo é modular a carga (reduzir o que piora), e não “zerar” tudo por semanas.
O que piora a tendinopatia glútea (e deve ser evitado inicialmente)
- Dormir em decúbito lateral sobre o lado doloroso
- Cruzar as pernas ao sentar
- Ficar longos períodos em apoio unilateral
- Exercícios com adução excessiva do quadril
- Alongamentos agressivos de glúteo médio e trato iliotibial

Essas posições aumentam a compressão do tendão contra o grande trocânter, mecanismo fortemente associado à perpetuação da dor.
Dica prática para o sono: se precisar dormir de lado, use um travesseiro entre os joelhos para reduzir a adução do quadril e a compressão do tendão.
2) Fisioterapia e exercícios
São o pilar do tratamento: programas supervisionados de fortalecimento dos abdutores do quadril (glúteo médio/mínimo), exercícios isométricos e excêntricos, controle de pelve e treino funcional (subida de degrau, marcha). O plano é individualizado e ajustado conforme dor e resposta.
Princípios Biológicos do Tratamento Conservador
A literatura contemporânea descreve a tendinopatia como um processo não inflamatório, caracterizado por:
- Desorganização do colágeno
- Alterações celulares (tenócitos)
- Redução da capacidade de suportar carga

Portanto, abordagens exclusivamente anti-inflamatórias (repouso absoluto, infiltrações repetidas) não resolvem o problema de base.
Os pilares do tratamento eficaz são:
- Educação do paciente
- Redução da carga compressiva excessiva
- Exercícios progressivos de fortalecimento
- Controle criterioso de alongamentos
Fisioterapia e Exercícios no Tratamento da Tendinopatia Glútea
A fisioterapia baseada em exercícios é o tratamento com melhor nível de evidência para tendinopatia glútea,
com superioridade clara sobre repouso, condutas passivas isoladas e infiltrações no médio e longo prazo.
O ponto central é simples: o tendão melhora quando você reduz compressão nociva e reintroduz carga progressiva com técnica adequada.
Evidência Científica
- Programas de exercício + educação apresentam melhora significativa de dor e função em curto, médio e longo prazo.
- Resultados tendem a ser superiores às infiltrações com corticoide após 6–12 meses.
- Exercícios apresentam maior taxa de sucesso sustentado.
Como a fisioterapia “organiza” o tratamento (o que um bom programa deve ter)
A reabilitação costuma ser mais eficiente quando é estruturada em etapas, com objetivos claros e critérios simples de progressão.
Objetivos da fisioterapia:
- Controlar dor e reduzir sensibilização do local (sem “zerar tudo”, mas trazendo o quadro para um patamar controlável).
- Recuperar força e resistência dos abdutores (glúteo médio e mínimo) e melhorar o controle pélvico.
- Corrigir padrões de movimento que aumentam compressão/adução do quadril (marcha, escadas, corrida, treino).
- Retornar com segurança às atividades do dia a dia e ao esporte, com prevenção de recidiva.
Frequência sugerida (prática):
- Exercícios resistidos: em geral 3x/semana (com progressão de carga).
- Isométricos/analgésicos: podem ser usados diariamente no início (1–2x/dia), se bem tolerados.
- Sessões de fisioterapia: tipicamente 1–2x/semana nas primeiras 4–6 semanas para ajustar técnica e progressões (depois pode espaçar conforme autonomia).
Dor durante o exercício: o que é aceitável?
- Dor leve/moderada durante o treino pode ser aceitável (por exemplo até 3-4/10), desde que não piore de forma sustentada.
- A dor deve voltar ao basal em até 24–48h.
- Se a dor “sobe de patamar” e se mantém por dias, geralmente é sinal de carga excessiva (reduzir intensidade/volume e ajustar técnica).
Tipos de Exercícios Recomendados
1️⃣ Exercícios Isométricos (Fase Inicial – Controle da Dor)
Objetivo:
- Reduzir dor
- Manter ativação muscular
- Introduzir carga sem agravar sintomas
Exemplos práticos:
- Abdução de quadril isométrica contra parede
- Abdução em decúbito lateral, mantendo contração sem movimento
Como prescrever:
- 5 a 10 segundos de contração
- 4 a 6 repetições
- 1 a 2 vezes ao dia
📌 Evidência: úteis para controle inicial da dor, mas não suficientes como tratamento isolado.
2️⃣ Exercícios Isotônicos e Resistidos (Base do Tratamento)
Essa é a parte mais importante do programa.
Objetivo:
- Aumentar a capacidade do tendão de suportar carga
- Melhorar força e controle do glúteo médio e mínimo
Exercícios com melhor respaldo científico:
- Abdução de quadril em decúbito lateral (sem adução excessiva)
- Ponte lateral modificada
- Abdução em pé com elástico
- Step-up lateral controlado

Parâmetros recomendados:
- Carga progressiva
- 2–3 séries
- 8–12 repetições
- Frequência: 3x por semana
📌 Evidência: maior intensidade, com menor frequência, tende a gerar melhores resultados do que exercícios leves diários.
3️⃣ Exercícios Funcionais e Controle do Movimento
Após controle da dor:
- Treinar estabilidade pélvica
- Reduzir adução excessiva do quadril durante a marcha
Exemplos:
- Agachamento unilateral assistido
- Step-down com controle do joelho e quadril
- Exercícios de cadeia cinética fechada

Esses exercícios são fundamentais para reduzir recidivas.
Alongamento na Tendinopatia Glútea: O que a Evidência Mostra
🔴 Este é um ponto crítico e frequentemente mal conduzido.
Alongamentos que DEVEM ser evitados na fase inicial
- Alongamento intenso de glúteo médio
- Alongamento do trato iliotibial
- Posições que colocam o quadril em adução
📌 Evidência: esses alongamentos aumentam a compressão tendínea e podem piorar os sintomas.
Quando o alongamento pode ser usado
- Apenas em fases mais avançadas
- De forma leve e controlada
- Preferencialmente para cadeias associadas (flexores do quadril, lombar)

Progressão da Carga: Como Saber Quando Avançar
A literatura mostra grande variabilidade, mas alguns princípios são consistentes:
- Dor leve durante ou após exercício é aceitável
- Dor não deve piorar progressivamente nos dias seguintes
- Progressão baseada em resposta funcional, não apenas ausência total de dor
📌 O uso exclusivo da dor como critério é limitado; deve-se observar função, força e tolerância global.
3) Terapias adjuvantes
- Terapia por Ondas de Choque (ESWT): útil em casos crônicos, pode reduzir dor e melhorar função. Saiba mais em Terapia por Ondas de Choque.
- Infiltração com corticoide: alívio no curto prazo, porém benefício tende a reduzir ao longo do tempo. Sempre associar a reabilitação. Veja Infiltração.
- PRP (Plasma Rico em Plaquetas): opção biológica com resultados promissores em médio prazo em alguns estudos.
- Proloterapia e BMA (Aspirado de Medula Óssea): a evidência específica para GTPS é ainda limitada; considerar caso a caso, após avaliação e discussão compartilhada. Conheça Proloterapia e BMA.
4) Cirurgia (casos selecionados)
Reservada a casos muito refratários após 6–12 meses de tratamento conservador ou quando há rupturas significativas dos tendões. Pode envolver reparo aberto ou endoscópico e, quando indicado, bursectomia associada. A decisão é individualizada.
Prognóstico e prevenção
Com diagnóstico precoce e adesão ao plano, a maioria apresenta melhora significativa da dor e da função. Para evitar recidivas:
- Fortaleça regularmente os abdutores do quadril.
- Progrida treinos de forma gradual e monitore a resposta de dor (0–10).
- Evite posições de compressão do tendão (adução sustentada) e longas permanências em pé sem pausas.
- Otimize sono, controle de peso e condicionamento geral.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é a tendinopatia glútea (GTPS)?
É a degeneração/inflamação dos tendões glúteos médio e mínimo, principal causa de dor lateral do quadril.
Qual o melhor tratamento?
Educação para reduzir compressão e exercícios progressivos de fortalecimento. Terapias como Ondas de Choque, infiltração e PRP podem ser associadas em casos selecionados.
Corticoide resolve?
Pode aliviar no curto prazo, mas o efeito tende a diminuir com o tempo. O ideal é combiná-lo a um programa de reabilitação.
PRP, proloterapia e BMA funcionam?
PRP mostra resultados promissores em alguns cenários; proloterapia e BMA têm evidência específica ainda limitada em GTPS. A decisão é caso a caso.
Quando operar?
Quando o tratamento conservador consistente falha por 6–12 meses ou quando há ruptura tendínea relevante. Lembrar que raramente é de tratamento cirúrgico.
Atendimento em Porto Alegre, Gravataí e região
O Dr. Rafael De Luca de Lucena é ortopedista com atuação em quadril e joelho, atendendo em Porto Alegre, Gravataí e região — com opções de consulta presencial e teleconsulta via Doctoralia.
- Santa Casa de Porto Alegre – Av. Independência, 75
- Centro Clínico Mãe de Deus – Rua Costa 30, sala 211
- Ortocenter – Rua Leopoldo Bier, 825
- Hospital Dom João Becker – Gravataí
- Pró Saúde Clínica – Cachoeirinha
- Consultas Online – Agende pelo site ou Doctoralia




