Tendinopatia Glútea

 

Tendinopatia Glútea (GTPS): dor lateral do quadril, diagnóstico e tratamento

A tendinopatia glútea — também chamada de síndrome da dor trocantérica maior (GTPS) — é a principal causa de dor na lateral do quadril. Aqui você encontra uma explicação clara sobre causas, sintomas, diagnóstico e os tratamentos com melhor evidência.

  1. O que é tendinopatia glútea
  2. Anatomia e função dos glúteos
  3. Causas e fatores de risco
  4. Sintomas mais comuns
  5. Como é feito o diagnóstico
  6. Tratamentos baseados em evidências
  7. Prognóstico e prevenção
  8. Perguntas frequentes (FAQ)
  9. Atendimento em Porto Alegre e Gravataí

O que é a tendinopatia glútea (GTPS)?

A tendinopatia glútea envolve principalmente os tendões do glúteo médio e do glúteo mínimo, localizados ao redor do grande trocânter do fêmur. Hoje sabemos que a antiga “bursite trocantérica” isolada é menos frequente; a maioria dos casos tem origem tendínea. O quadro cursa com dor lateral no quadril, pior ao se deitar sobre o lado doloroso, ao subir escadas, caminhar longas distâncias ou permanecer muito tempo em pé.

Tendinopatia glútea

Anatomia e função dos glúteos

Os abdutores do quadril (glúteo médio e mínimo) estabilizam a pelve durante a marcha e atividades diárias. Seus tendões inserem-se no grande trocânter. Quando submetidos a sobrecarga repetitiva e compressão, podem desenvolver microlesões e degeneração, caracterizando a tendinopatia.

Tendinopatia glútea medio

Causas e fatores de risco

  • Sobrecarga mecânica: corrida, trilhas, dança, subir/descer escadas, longas caminhadas.
  • Biomecânica: joelho valgo, fraqueza de abdutores, alterações na marcha e no controle pélvico.
  • Sexo e idade: maior incidência em mulheres a partir da meia-idade.
  • Comorbidades: dor lombar, osteoartrite do quadril, excesso de peso.
  • Hábitos: cruzar as pernas, dormir com o quadril em adução (sem travesseiro entre os joelhos).
  • Histórico de aumento súbito de carga: retorno ou início de treino sem progressão adequada.

Sintomas mais comuns

  • Dor na lateral do quadril, sobre o grande trocânter, podendo irradiar para a face lateral da coxa.
  • Desconforto ao deitar sobre o lado afetado.
  • Dor ao subir/descer escadas, caminhar por longos períodos ou ficar em pé muito tempo.
  • Hipersensibilidade ao toque no trocânter e dificuldade em cruzar as pernas.

dor glútea na lateral do quadril

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é clínico e considera história, exame físico (palpação do trocânter, testes de abdução resistida e single-leg stance) e avaliação funcional. Exames de imagem podem ser usados para confirmação ou casos persistentes:

  • Ultrassonografia: pode mostrar tendinopatia/rupturas; é operador-dependente.
  • Ressonância magnética: detalha tendões e bursas e auxilia no planejamento terapêutico.
  • Radiografia: útil para descartar outras causas (como artrose avançada).
tendinopatia glútea no ultrassom
https://doi.org/10.26603/001c.116864
tendinopatia glútea em ressonancia
https://doi.org/10.1089/jwh.2016.5889

Tratamentos baseados em evidências

1) Educação e Modificação de Carga (Etapa Fundamental)

Antes de falar em exercícios, é essencial retirar os principais estímulos nocivos ao tendão.
O objetivo é modular a carga (reduzir o que piora), e não “zerar” tudo por semanas.

O que piora a tendinopatia glútea (e deve ser evitado inicialmente)

  • Dormir em decúbito lateral sobre o lado doloroso
  • Cruzar as pernas ao sentar
  • Ficar longos períodos em apoio unilateral
  • Exercícios com adução excessiva do quadril
  • Alongamentos agressivos de glúteo médio e trato iliotibial

Tendinopatia glútea

Essas posições aumentam a compressão do tendão contra o grande trocânter, mecanismo fortemente associado à perpetuação da dor.

Dica prática para o sono: se precisar dormir de lado, use um travesseiro entre os joelhos para reduzir a adução do quadril e a compressão do tendão.

2) Fisioterapia e exercícios

São o pilar do tratamento: programas supervisionados de fortalecimento dos abdutores do quadril (glúteo médio/mínimo), exercícios isométricos e excêntricos, controle de pelve e treino funcional (subida de degrau, marcha). O plano é individualizado e ajustado conforme dor e resposta.


Princípios Biológicos do Tratamento Conservador

A literatura contemporânea descreve a tendinopatia como um processo não inflamatório, caracterizado por:

  • Desorganização do colágeno
  • Alterações celulares (tenócitos)
  • Redução da capacidade de suportar carga

tendinopatia ou tendinite

Portanto, abordagens exclusivamente anti-inflamatórias (repouso absoluto, infiltrações repetidas) não resolvem o problema de base.

Os pilares do tratamento eficaz são:

  1. Educação do paciente
  2. Redução da carga compressiva excessiva
  3. Exercícios progressivos de fortalecimento
  4. Controle criterioso de alongamentos

Fisioterapia e Exercícios no Tratamento da Tendinopatia Glútea

A fisioterapia baseada em exercícios é o tratamento com melhor nível de evidência para tendinopatia glútea,
com superioridade clara sobre repouso, condutas passivas isoladas e infiltrações no médio e longo prazo.
O ponto central é simples: o tendão melhora quando você reduz compressão nociva e reintroduz carga progressiva com técnica adequada.

Evidência Científica

  • Programas de exercício + educação apresentam melhora significativa de dor e função em curto, médio e longo prazo.
  • Resultados tendem a ser superiores às infiltrações com corticoide após 6–12 meses.
  • Exercícios apresentam maior taxa de sucesso sustentado.

Como a fisioterapia “organiza” o tratamento (o que um bom programa deve ter)

A reabilitação costuma ser mais eficiente quando é estruturada em etapas, com objetivos claros e critérios simples de progressão.

Objetivos da fisioterapia:

  1. Controlar dor e reduzir sensibilização do local (sem “zerar tudo”, mas trazendo o quadro para um patamar controlável).
  2. Recuperar força e resistência dos abdutores (glúteo médio e mínimo) e melhorar o controle pélvico.
  3. Corrigir padrões de movimento que aumentam compressão/adução do quadril (marcha, escadas, corrida, treino).
  4. Retornar com segurança às atividades do dia a dia e ao esporte, com prevenção de recidiva.

Frequência sugerida (prática):

  • Exercícios resistidos: em geral 3x/semana (com progressão de carga).
  • Isométricos/analgésicos: podem ser usados diariamente no início (1–2x/dia), se bem tolerados.
  • Sessões de fisioterapia: tipicamente 1–2x/semana nas primeiras 4–6 semanas para ajustar técnica e progressões (depois pode espaçar conforme autonomia).

Dor durante o exercício: o que é aceitável?

  • Dor leve/moderada durante o treino pode ser aceitável (por exemplo até 3-4/10), desde que não piore de forma sustentada.
  • A dor deve voltar ao basal em até 24–48h.
  • Se a dor “sobe de patamar” e se mantém por dias, geralmente é sinal de carga excessiva (reduzir intensidade/volume e ajustar técnica).

Tipos de Exercícios Recomendados

1️⃣ Exercícios Isométricos (Fase Inicial – Controle da Dor)

Objetivo:

  • Reduzir dor
  • Manter ativação muscular
  • Introduzir carga sem agravar sintomas

Exemplos práticos:

  • Abdução de quadril isométrica contra parede
  • Abdução em decúbito lateral, mantendo contração sem movimento

exercícios isométricos quadril abdutores

Como prescrever:

  • 5 a 10 segundos de contração
  • 4 a 6 repetições
  • 1 a 2 vezes ao dia

📌 Evidência: úteis para controle inicial da dor, mas não suficientes como tratamento isolado.

2️⃣ Exercícios Isotônicos e Resistidos (Base do Tratamento)

Essa é a parte mais importante do programa.

Objetivo:

  • Aumentar a capacidade do tendão de suportar carga
  • Melhorar força e controle do glúteo médio e mínimo

Exercícios com melhor respaldo científico:

  • Abdução de quadril em decúbito lateral (sem adução excessiva)
  • Ponte lateral modificada
  • Abdução em pé com elástico
  • Step-up lateral controlado

tendinopatia glutea

Parâmetros recomendados:

  • Carga progressiva
  • 2–3 séries
  • 8–12 repetições
  • Frequência: 3x por semana

📌 Evidência: maior intensidade, com menor frequência, tende a gerar melhores resultados do que exercícios leves diários.

3️⃣ Exercícios Funcionais e Controle do Movimento

Após controle da dor:

  • Treinar estabilidade pélvica
  • Reduzir adução excessiva do quadril durante a marcha

Exemplos:

  • Agachamento unilateral assistido
  • Step-down com controle do joelho e quadril
  • Exercícios de cadeia cinética fechada

tendinopatia glútea

Esses exercícios são fundamentais para reduzir recidivas.


Alongamento na Tendinopatia Glútea: O que a Evidência Mostra

🔴 Este é um ponto crítico e frequentemente mal conduzido.

Alongamentos que DEVEM ser evitados na fase inicial

  • Alongamento intenso de glúteo médio
  • Alongamento do trato iliotibial
  • Posições que colocam o quadril em adução

📌 Evidência: esses alongamentos aumentam a compressão tendínea e podem piorar os sintomas.

Quando o alongamento pode ser usado

  • Apenas em fases mais avançadas
  • De forma leve e controlada
  • Preferencialmente para cadeias associadas (flexores do quadril, lombar)

Alongamento de glúteo máximo e isquiotibiais trato iliotibial


Progressão da Carga: Como Saber Quando Avançar

A literatura mostra grande variabilidade, mas alguns princípios são consistentes:

  • Dor leve durante ou após exercício é aceitável
  • Dor não deve piorar progressivamente nos dias seguintes
  • Progressão baseada em resposta funcional, não apenas ausência total de dor

📌 O uso exclusivo da dor como critério é limitado; deve-se observar função, força e tolerância global.

3) Terapias adjuvantes

  • Terapia por Ondas de Choque (ESWT): útil em casos crônicos, pode reduzir dor e melhorar função. Saiba mais em Terapia por Ondas de Choque.
  • Infiltração com corticoide: alívio no curto prazo, porém benefício tende a reduzir ao longo do tempo. Sempre associar a reabilitação. Veja Infiltração.
  • PRP (Plasma Rico em Plaquetas): opção biológica com resultados promissores em médio prazo em alguns estudos.
  • Proloterapia e BMA (Aspirado de Medula Óssea): a evidência específica para GTPS é ainda limitada; considerar caso a caso, após avaliação e discussão compartilhada. Conheça Proloterapia e BMA.

 

Terapia por Ondas de Choque - Tendinopatia Glutea

Terapia por Ondas de Choque 

4) Cirurgia (casos selecionados)

Reservada a casos muito refratários após 6–12 meses de tratamento conservador ou quando há rupturas significativas dos tendões. Pode envolver reparo aberto ou endoscópico e, quando indicado, bursectomia associada. A decisão é individualizada.

Dica prática: grande parte dos pacientes melhora com um programa consistente de exercícios e ajustes de hábitos. Infiltrações e outras terapias aceleram o controle da dor em perfis específicos, mas não substituem a reabilitação.

Prognóstico e prevenção

Com diagnóstico precoce e adesão ao plano, a maioria apresenta melhora significativa da dor e da função. Para evitar recidivas:

  • Fortaleça regularmente os abdutores do quadril.
  • Progrida treinos de forma gradual e monitore a resposta de dor (0–10).
  • Evite posições de compressão do tendão (adução sustentada) e longas permanências em pé sem pausas.
  • Otimize sono, controle de peso e condicionamento geral.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é a tendinopatia glútea (GTPS)?

É a degeneração/inflamação dos tendões glúteos médio e mínimo, principal causa de dor lateral do quadril.

Qual o melhor tratamento?

Educação para reduzir compressão e exercícios progressivos de fortalecimento. Terapias como Ondas de Choque, infiltração e PRP podem ser associadas em casos selecionados.

Corticoide resolve?

Pode aliviar no curto prazo, mas o efeito tende a diminuir com o tempo. O ideal é combiná-lo a um programa de reabilitação.

PRP, proloterapia e BMA funcionam?

PRP mostra resultados promissores em alguns cenários; proloterapia e BMA têm evidência específica ainda limitada em GTPS. A decisão é caso a caso.

Quando operar?

Quando o tratamento conservador consistente falha por 6–12 meses ou quando há ruptura tendínea relevante. Lembrar que raramente é de tratamento cirúrgico.

Atendimento em Porto Alegre, Gravataí e região

O Dr. Rafael De Luca de Lucena é ortopedista com atuação em quadril e joelho, atendendo em Porto Alegre, Gravataí e região — com opções de consulta presencial e teleconsulta via Doctoralia.

  • Santa Casa de Porto Alegre – Av. Independência, 75
  • Centro Clínico Mãe de Deus – Rua Costa 30, sala 211
  • Ortocenter – Rua Leopoldo Bier, 825
  • Hospital Dom João Becker – Gravataí
  • Pró Saúde Clínica – Cachoeirinha
  • Consultas Online – Agende pelo site ou Doctoralia

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individualizada.

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