Subcondroplastia
Introdução
A subcondroplastia é um procedimento ortopédico desenvolvido para tratar lesões medulares ósseas (LMOs), também chamadas lesões do edema ósseo, frequentemente associadas a dores articulares crônicas e à progressão da osteoartrite. Essas lesões são caracterizadas por áreas de alterações microestruturais no osso subcondral, visíveis em exames de ressonância magnética (RM). Comumente, LMOs provocam dor significativa, redução funcional e podem acelerar o desgaste articular, levando à necessidade precoce de cirurgia de substituição articular.

Funcionamento da Subcondroplastia
O procedimento da subcondroplastia utiliza um preenchimento ósseo sintético à base de fosfato de cálcio (CaP) para estabilizar a região óssea comprometida por LMOs. Este preenchimento é inserido diretamente nas lesões, fornecendo suporte mecânico adicional e promovendo a remodelação óssea local. O fosfato de cálcio injetado sofre uma reação endoterma e cristaliza-se, adquirindo propriedades mecânicas semelhantes às do osso esponjoso saudável, sem danificar a estrutura óssea existente.

O objetivo principal da subcondroplastia é estabilizar o osso subcondral danificado, reduzir a dor associada às microfraturas ósseas e impedir ou retardar a progressão da osteoartrite. Em casos específicos, pode ser combinada com o uso de produtos ortobiológicos como Aspirado de Medula Óssea (BMA) ou concentrado de aspirado de medula óssea (BMAC), visando potencializar ainda mais a regeneração óssea e cartilaginosa.
Método de Aplicação
A técnica da subcondroplastia é minimamente invasiva, realizada sob controle fluoroscópico (radioscopia). O procedimento envolve:
- Posicionamento do paciente em uma mesa radiotransparente, sob anestesia local ou regional.
- Identificação da lesão óssea medular por fluoroscopia.
- Inserção de uma cânula específica, orientada por radioscopia, diretamente na área da lesão.
- Injeção cuidadosa do fosfato de cálcio sintético na lesão óssea medular.
- Monitorização da distribuição adequada do material durante a aplicação, assegurando o preenchimento uniforme e eficaz da área comprometida.

A subcondroplastia frequentemente é associada à artroscopia para avaliar e tratar concomitantemente alterações intra-articulares, como lesões meniscais ou degenerações cartilaginosas. Em alguns casos, também pode incluir aplicação complementar de ortobiológicos como BMA ou BMAC para reforçar o efeito regenerativo.
Evidências sobre Eficácia
Diversos estudos clínicos têm demonstrado que a subcondroplastia proporciona significativa redução da dor e melhora funcional para pacientes com LMOs:
- Estudos prospectivos mostraram melhora significativa nos escores WOMAC, KOOS e escala visual analógica de dor (VAS) após a subcondroplastia, mantendo os benefícios até 12 a 24 meses pós-operatório (Pasqualotto et al., 2021; Cohen et al., 2015; Krebs et al., 2020).
- A eficácia do procedimento é confirmada em pacientes com osteoartrite associada a LMOs, com redução substancial da dor e melhora na função física, além de baixa taxa de conversão para artroplastia total do joelho após a realização do procedimento (Wood et al., 2023; Chua et al., 2020).
Melhores Indicações para o Tratamento
A subcondroplastia é mais indicada para pacientes que apresentam:
- Lesões ósseas subcondrais sintomáticas identificadas em exames de ressonância magnética.
- Dor articular crônica associada a microfraturas subcondrais que não responderam satisfatoriamente ao tratamento conservador.
- Osteoartrite leve a moderada associada a lesões medulares ósseas.
Os locais mais comuns de aplicação incluem joelho (especialmente côndilos femorais e platô tibial), quadril e tornozelo. A técnica também é frequentemente indicada para pacientes que desejam postergar ou evitar procedimentos mais invasivos como a artroplastia total.

Prognóstico
O prognóstico após a subcondroplastia geralmente é bastante favorável:
- Muitos pacientes relatam redução substancial da dor já nas primeiras semanas após o procedimento, com resultados estáveis até pelo menos 1 a 2 anos após o tratamento.
- O procedimento oferece recuperação rápida e o retorno às atividades habituais geralmente ocorre em pouco tempo.
- Estudos indicam que aproximadamente 73% dos pacientes permanecem livres de conversão para artroplastia do joelho cinco anos após a subcondroplastia, sendo que os melhores resultados são observados em pacientes mais jovens e sem alterações avançadas na cartilagem (Wood et al., 2023).
Contudo, resultados a longo prazo dependem da gravidade das lesões ósseas e do grau de degeneração articular no momento do procedimento.
Riscos e Efeitos Colaterais
Apesar de ser considerada segura e minimamente invasiva, a subcondroplastia pode apresentar alguns riscos e efeitos colaterais, tais como:
- Dor local transitória no pós-operatório imediato.
- Possível extravasamento mínimo do material injetado para os tecidos adjacentes, causando dor ou desconforto temporários.
- Em casos raros, há relatos de complicações mais sérias, como necrose avascular do tálus, especialmente quando aplicada no tornozelo (Hanselman et al., 2021).
No geral, o risco de complicações graves é baixo, especialmente quando o procedimento é realizado por um ortopedista.
Conclusão
A subcondroplastia representa uma excelente alternativa para o tratamento das lesões medulares ósseas, oferecendo redução significativa da dor e melhora da funcionalidade em pacientes com osteoartrite ou lesões subcondrais sintomáticas. Com evidências científicas e uma técnica minimamente invasiva, o procedimento surge como uma importante opção terapêutica para evitar ou retardar procedimentos mais invasivos e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A avaliação de um médico ortopedista nesses casos é fundamental para guiar o melhor tratamento para cada paciente conforme a expectativa e desejo individual.
Para garantir resultados ideais, é essencial que o tratamento seja realizado por profissionais capacitados, seguindo rigorosamente os protocolos clínicos estabelecidos e com acompanhamento pós-operatório adequado.
Rafael De Luca de Lucena – Doctoralia.com.br
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