Suplementação e Nutracêuticos na Artrose
A artrose (ou osteoartrite) é uma das doenças articulares mais comuns no mundo, afetando milhões de pessoas, especialmente a partir da meia-idade. Trata-se de uma condição degenerativa que compromete a integridade da cartilagem, levando à dor, rigidez, limitação funcional e, em estágios avançados, à perda da qualidade de vida.
Apesar da ampla utilização de medicamentos como analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), essas terapias não modificam o curso da doença e podem causar efeitos adversos quando usadas de forma crônica. Nesse cenário, cresce o interesse por alternativas menos agressivas, como os nutracêuticos — substâncias bioativas naturais, presentes em alimentos ou suplementos, que possuem efeitos terapêuticos ou preventivos.
A seguir, uma análise atualizada e baseada em evidências científicas sobre os principais suplementos e nutracêuticos estudados para o manejo da artrose.
O Que São Nutracêuticos?
Nutracêuticos são compostos naturais encontrados em alimentos, plantas ou fontes biológicas, capazes de exercer efeitos benéficos à saúde, incluindo ações anti-inflamatórias, antioxidantes, imunomoduladoras e analgésicas. Diferentemente dos medicamentos tradicionais, os nutracêuticos são, em geral, seguros para uso contínuo e bem tolerados pela maioria dos pacientes.
Na artrose, essas substâncias têm sido estudadas por sua capacidade de modular processos inflamatórios e oxidativos, além de proteger e estimular a regeneração da cartilagem.
Principais Nutracêuticos com Evidência Científica na Artrose
1. Colágeno Tipo II Não Desnaturado (UC-II)
- Mecanismo: Induz tolerância oral ao colágeno articular, reduzindo a inflamação autoimune.
- Benefícios: Reduz dor e rigidez; estudos mostram eficácia superior à combinação de glucosamina + condroitina.
- Posologia: 40 mg por dia.
O UC-II é uma forma de colágeno tipo II não desnaturado e não hidrolisado, extraído da cartilagem de frango.
Mantém sua estrutura intacta e age por tolerância oral, modulando o sistema imune e reduzindo a inflamação nas articulações.
Estudos mostram que melhora dor, rigidez e função articular em casos leves a moderados de artrose.

2. Colágeno Hidrolisado (Peptídeos de Colágeno)
- Mecanismo: Fornece peptídeos bioativos que estimulam a síntese de colágeno e matriz extracelular pelos condrócitos.
- Benefícios: Melhora a integridade da cartilagem e reduz sintomas articulares.
- Posologia: 5 a 10 g por dia.
O colágeno hidrolisado, também conhecido como peptídeos de colágeno, é obtido pela quebra enzimática do colágeno tipo I em fragmentos menores que são facilmente absorvidos. Esses peptídeos atuam como matéria-prima e sinalizadores, estimulando os condrócitos a regenerar a cartilagem.

UC-II x Colágeno Hidrolisado: Qual é melhor?
A pergunta mais frequente entre pacientes é: “Qual colágeno devo usar?”. A resposta depende dos objetivos terapêuticos:
- O UC-II é mais indicado quando se busca controle da inflamação articular e redução de dor, especialmente em artrose leve a moderada.
- O colágeno hidrolisado é mais adequado quando o foco está na nutrição da cartilagem e estímulo à regeneração tecidual, particularmente em fases mais avançadas ou como medida preventiva.
Ambos atuam de maneira diferente e podem ser utilizados de forma complementar.
Enquanto o UC-II promove imunomodulação e reduz a inflamação, o colágeno hidrolisado fornece os componentes necessários para a reconstrução da cartilagem.
É essencial reforçar que esses suplementos não são equivalentes. Suas ações, doses e formas de uso são distintas. Normalmente existem apresentações com associações dos dois nutracêuticos.
3. Curcumina (Curcuma longa)
- Mecanismo: Inibe COX-2 e NF-κB; potente ação anti-inflamatória e antioxidante.
- Benefícios: Eficácia semelhante aos AINEs, com melhor tolerabilidade.
- Posologia: 500 a 1000 mg por dia (preferencialmente com alta biodisponibilidade).

4. Ácidos Graxos Ômega-3 (EPA e DHA)
- Mecanismo: Reduz citocinas inflamatórias e estimula resolvinas e maresinas.
- Benefícios: Melhora da dor e da função; proteção da cartilagem.
- Posologia: 1000 a 3000 mg por dia de EPA + DHA.

5. Boswellia serrata (AKBA)
- Mecanismo: Inibe 5-LOX, reduzindo inflamação via leucotrienos.
- Benefícios: Alívio da dor e melhora da mobilidade.
- Posologia: 100 a 250 mg de AKBA por dia.

6. ASU – Insaponificáveis de Abacate e Soja
- Mecanismo: Inibe IL-1, PGE2 e metaloproteinases; estimula anabolismo da cartilagem.
- Benefícios: Melhora da dor e possível efeito estrutural protetor.
- Posologia: 300 a 600 mg por dia.

7. Glucosamina e Condroitina
- Mecanismo: Estimulam a síntese e manutenção da matriz cartilaginosa.
- Benefícios: Melhora progressiva dos sintomas com uso contínuo.
- Posologia: Glucosamina 1500 mg + Condroitina 800–1200 mg por dia.

8. MSM (Metilsulfonilmetano)
- Mecanismo: Reduz estresse oxidativo e modula citocinas inflamatórias.
- Benefícios: Redução de dor em curto prazo; efeito sinérgico com outros suplementos.
- Posologia: 1500 a 3000 mg por dia.
9. Vitamina K
- Mecanismo: Importante na mineralização da cartilagem e osso subcondral.
- Benefícios: Baixos níveis estão associados à progressão da artrose.
- Posologia: 90 a 120 mcg por dia.
Considerações Finais
O uso de nutracêuticos na artrose deve ser sempre parte de uma abordagem multifatorial que envolva controle do peso, exercícios físicos supervisionados, fisioterapia e eventualmente tratamentos farmacológicos e intervencionistas. A escolha do suplemento ideal deve ser personalizada, respeitando as características clínicas e a resposta individual de cada paciente.
Com boa orientação médica, essas substâncias oferecem um suporte terapêutico seguro e eficaz para o controle da dor, melhora da função articular e proteção da cartilagem ao longo do tempo.
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