Fratura de Estresse

Fratura de Estresse no Joelho: Causas, Diagnóstico e Tratamento

Introdução

A fratura de estresse é uma lesão óssea causada por microtraumas repetitivos, diferente das fraturas traumáticas, que acontecem por um impacto único de alta energia.
No joelho, as fraturas de estresse geralmente acometem a tíbia proximal ou o fêmur distal, regiões que suportam grande carga durante atividades como corrida, saltos e esportes de impacto.
Esse tipo de fratura é comum em atletas, militares e praticantes de atividades físicas intensas, mas também pode ocorrer em pessoas com alterações metabólicas ou desequilíbrios musculoesqueléticos.

exercícios com impacto

O que é uma fratura de estresse?

A fratura de estresse é um processo progressivo. O osso sofre microdanos pelo excesso de carga e, quando a capacidade de reparo não acompanha o ritmo, ocorre a fissura ou fratura.

  • Fratura por fadiga: ocorre em ossos normais submetidos a sobrecarga repetitiva (ex.: corredores iniciando aumento abrupto de treino).
  • Fratura por insuficiência: ocorre em ossos fragilizados (ex.: osteoporose, deficiência de vitamina D) mesmo com esforços habituais.

No joelho, o local mais comum é a tíbia proximal, especialmente na face medial ou posterior, devido ao estresse de compressão e tração durante a corrida.

fratura estresse do joelho

Causas e Fatores de Risco

A etiologia é multifatorial, envolvendo fatores intrínsecos (do paciente) e extrínsecos (do ambiente/treino):

Fatores Intrínsecos

  • Baixa densidade mineral óssea e distúrbios de metabolismo ósseo.
  • Deficiência de vitamina D e cálcio, frequentemente associada a maior risco de fraturas.
  • Desequilíbrios hormonais, como amenorreia em mulheres atletas (Triade da Mulher Atleta / RED-S).
  • Alterações biomecânicas, como pronação excessiva, desalinhamentos e desequilíbrios musculares.
  • Histórico prévio de fratura de estresse, que aumenta o risco de recorrência em até 5–6 vezes.

Fatores Extrínsecos

  • Aumento súbito de carga de treino (volume, intensidade ou frequência).
  • Superfícies rígidas de treino (asfalto, concreto).
  • Calçados inadequados ou desgastados.
  • Atividades de alto impacto, como corrida de longa distância, basquete, futebol e atletismo.

Sintomas e Diagnóstico

Os principais sinais clínicos incluem:

  • Dor localizada no joelho ou na região da tíbia, que inicia aos esforços e evolui para dor mesmo em repouso.
  • Dor mecânica, pior ao correr, pular ou subir escadas.
  • Sensibilidade à palpação e, em alguns casos, discreto edema local.

Exames de imagem

  • Radiografias: geralmente normais nos estágios iniciais.
  • Ressonância Magnética (RM): padrão-ouro para diagnóstico, detectando edema ósseo, microfraturas e graduação da lesão.
  • Tomografia Computadorizada: útil em casos duvidosos.

fratura estresse do joelho

A classificação do risco é essencial:

  • Baixo risco: fraturas em áreas de boa cicatrização (tíbia posteromedial, fêmur medial).
  • Alto risco: fraturas na cortical anterior da tíbia ou patela, com maior chance de não união.

Tratamento

O manejo depende da localização, gravidade e perfil do paciente.

Tratamento Conservador

Indicado para a maioria dos casos de baixo risco:

  • Repouso relativo e modificação da atividade física.
  • Uso de muletas ou imobilização parcial, em alguns casos.
  • Fisioterapia para fortalecimento muscular, correção biomecânica e reeducação da corrida.
  • Suplementação de vitamina D e cálcio, quando indicada.
  • Choque extracorpóreo (ondas de choque): pode auxiliar na consolidação em fraturas de difícil cicatrização.

O tempo médio de retorno ao esporte varia de 6 a 12 semanas, dependendo da gravidade.

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Tratamento Cirúrgico

Indicado, muito raramente, em fraturas de alto risco, não consolidadas ou recorrentes:

  • Fixação interna com placas ou parafusos.
  • Uso de enxerto ósseo em casos de falha de consolidação.

Prevenção

A prevenção é fundamental, especialmente em atletas e militares. As medidas incluem:

  • Progressão gradual de treinos (evitar aumentos abruptos de volume ou intensidade).
  • Fortalecimento muscular, principalmente quadríceps, glúteos e core.
  • Avaliação biomecânica da corrida, com ajustes de cadência e técnica.
  • Calçados adequados e trocados periodicamente.
  • Suplementação de vitamina D e cálcio em casos de deficiência.
  • Períodos de descanso planejados para permitir a adaptação óssea.

Prognóstico

Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a grande maioria das fraturas de estresse no joelho evolui bem, permitindo retorno às atividades sem sequelas.
Contudo, casos negligenciados podem evoluir para fratura completa, pseudartrose ou até necessidade de cirurgia mais invasiva.
Além disso, a reincidência é comum se os fatores predisponentes não forem corrigidos.

Conclusão

A fratura de estresse no joelho é uma condição frequente em atletas e pacientes submetidos a sobrecargas repetitivas.
O diagnóstico precoce, baseado na clínica e confirmado pela ressonância magnética, é essencial para o sucesso terapêutico.
O tratamento geralmente é conservador, mas casos de alto risco podem exigir cirurgia.
Medidas preventivas — como progressão adequada do treino, fortalecimento, correção biomecânica e otimização do metabolismo ósseo — são fundamentais para evitar recorrências.
Essa abordagem integrada permite reduzir o tempo de afastamento e promover retorno seguro às atividades, seja no esporte, seja na vida cotidiana.

👉 Dr. Rafael De Luca de Lucena – Ortopedista e Traumatologista
Especialista em joelho, quadril e lesões esportivas em Porto Alegre, Gravataí e região.

 


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Rafael De Luca de Lucena – Doctoralia.com.br

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