Bloqueio de Nervos Geniculares

Bloqueio dos Nervos Geniculares do Joelho: Alternativa Minimamente Invasiva para o Controle da Dor

Introdução

A dor crônica no joelho, especialmente associada à osteoartrite (artrose), representa um desafio crescente para médicos e pacientes. Muitos pacientes não são candidatos ideais à cirurgia de prótese total de joelho devido a comorbidades ou por preferência pessoal. Nesses casos, o bloqueio dos nervos geniculares (BNG) surge como uma alternativa promissora e minimamente invasiva para o controle da dor. Essa técnica visa a dessensibilização seletiva dos nervos que inervam a cápsula articular do joelho, promovendo alívio sintomático e melhora funcional.

Inervação do joelho
https://doi.org/10.1136/rapm-2020-101894

O que são os nervos geniculares?

Os nervos geniculares são pequenos ramos sensitivos que provêm principalmente dos nervos femoral, obturador, tibial e fibular comum. Eles formam uma rede complexa ao redor da cápsula articular do joelho, com as principais ramificações-alvo para bloqueio sendo:

  • Nervo genicular superomedial
  • Nervo genicular superolateral
  • Nervo genicular inferomedial

Nervos geniculares do joelho

Estes ramos são os mais comumente abordados em procedimentos de bloqueio ou ablação com radiofrequência. No entanto, estudos mais recentes sugerem que outras ramificações, como o ramo infrapatelar do nervo safeno e o nervo fibular recorrente, também participam da inervação sensitiva do joelho e podem ser alvos adicionais para melhor eficácia do tratamento.

Indicações do Bloqueio de Nervos Geniculares

  • Osteoartrite do joelho sintomática (moderada a grave) que não responde a medidas conservadoras.
  • Pacientes não candidatos à cirurgia de artroplastia total do joelho.
  • Dor crônica pós-artroplastia com prótese bem posicionada, mas persistência de dor inexplicável.
  • Controle perioperatório da dor em pacientes submetidos à cirurgia de joelho.
  • Alívio temporário da dor para reabilitação ou melhora funcional.

Evidências Científicas das Indicações

Estudos clínicos randomizados e revisões sistemáticas demonstram que o bloqueio dos nervos geniculares pode proporcionar alívio significativo da dor e melhora funcional por até 6 meses. Em uma metanálise recente com mais de 600 pacientes, tanto a radiofrequência pulsada quanto a resfriada demonstraram eficácia semelhante na redução da dor, com mínimo risco de complicações. Comparações diretas entre bloqueio com anestésico e ablação por radiofrequência sugerem que a ablação pode ter efeito mais duradouro, embora ambos sejam eficazes.

Métodos de Imagem no Bloqueio Genicular

A orientação por imagem é essencial para garantir a precisão, segurança e eficácia do bloqueio dos nervos geniculares do joelho. Os métodos mais utilizados são:

Ultrassom

  • Permite visualização em tempo real dos nervos, vasos e estruturas articulares.
  • Reduz riscos e aumenta a acurácia do procedimento.
  • Ideal para bloqueios com anestésicos locais ou corticoides.
BLOQUEIO DE NERVOS GENICULARES COM ULTRASSOM
https://www.nysora.com/education-news/ultrasound-pain-block-tip-of-the-week-how-to-identify-the-genicular-nerves/
bloqueio de nervo genicular
Bloqueio de Nervos Geniculares – Arquivo Pessoal

Radioscopia (Fluoroscopia)

  • Utiliza imagem por raios-X em tempo real com base em marcos ósseos anatômicos.
  • Amplamente empregada em procedimentos com radiofrequência.
  • Garante posicionamento preciso da agulha em alvos profundos.

bloqueio de nervos geniculares por radioscopia

Ambas as técnicas são seguras e eficazes. A escolha depende da experiência do profissional, tipo de bloqueio e anatomia do paciente.

Opções de Bloqueio dos Nervos Geniculares

1. Bloqueio com Anestésicos Locais

Geralmente é utilizado bupivacaína ou lidocaína, com ou sem corticoide. É comum como método diagnóstico inicial. Quando realizado com orientação por ultrassom ou fluoroscopia, o bloqueio é preciso e seguro.

2. Bloqueio com Corticoides

A adição de corticoides como triamcinolona tem efeito anti-inflamatório local, podendo prolongar o alívio da dor. No entanto, seus efeitos são temporários.

3. Neuroablação com Radiofrequência

É a forma mais duradoura de tratamento. Existem três variações principais:

  • Radiofrequência convencional: aquece o tecido a cerca de 80°C.
  • Radiofrequência resfriada (cooled RFA): atinge maior área de lesão com temperaturas menores (~60°C), promovendo lesão mais ampla com menos dor pós-procedimento.
  • Radiofrequência pulsada: mantém temperatura até 42°C, com efeito reversível, evitando lesão térmica permanente, sendo mais segura em estruturas próximas a vasos.

bloqueio de nervos geniculares no joelho

4. Neurólise química

Agentes como álcool ou fenol podem ser utilizados para neuroólise química, causando destruição dos axônios. É uma opção menos comum, geralmente reservada para casos refratários.

Riscos e Contraindicações

Apesar de ser considerada uma técnica segura, o bloqueio dos nervos geniculares apresenta riscos, embora raros:

  • Hemartrose e pseudoaneurismas.
  • Neuropatia local transitória.
  • Infecção no local da punção.
  • Falha terapêutica devido a variação anatômica dos nervos ou número insuficiente de alvos tratados.

Contraindicações absolutas: infecção ativa no local da aplicação, coagulopatias não controladas e alergia aos fármacos utilizados.

Prognóstico

  • Duração do efeito: bloqueios farmacológicos (1–3 meses), radiofrequência (6–12 meses).
  • Taxa de sucesso: entre 60% a 80% de melhora significativa em dor e função.
  • Possibilidade de repetição: o procedimento pode ser repetido em caso de recidiva dos sintomas, com segurança.

Conclusão

O bloqueio dos nervos geniculares é uma alternativa eficaz, segura e minimamente invasiva no manejo da dor crônica do joelho, especialmente em pacientes com osteoartrite avançada e contraindicação ou recusa de cirurgia. A escolha entre técnicas como o uso de anestésicos locais, corticoides ou radiofrequência deve ser individualizada, considerando o quadro clínico, anatomia, objetivos do paciente e recursos disponíveis.

Com o avanço das técnicas de imagem e maior compreensão da anatomia do joelho, é possível otimizar a eficácia desse tratamento, seja como medida definitiva em pacientes inoperáveis ou como recurso complementar no tratamento da dor.


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Rafael De Luca de Lucena – Doctoralia.com.br

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